Doencas Ocupacionais

Doenças Ocupacionais – o que são e principais exemplos

As doenças ocupacionais estão ligadas a diversos setores e profissões. Como a maioria das pessoas passa boa parte do tempo no trabalho, é comum o risco de desenvolverem alguma doença.

Assim, o ambiente de trabalho é capaz de desencadear doenças tanto físicas quanto psicossociais. Só em 2018 foram 202 mil trabalhadores afastados por doença, de acordo com a Secretaria de Previdência.

Por isso, preparamos esse artigo para você conhecer as principais doenças ocupacionais e seus métodos de prevenção, junto a um resumo do que consta na lei sobre o assunto.

 

O que são doenças ocupacionais?

A lei 8.213/91 considera doenças ocupacionais aquelas causadas pela profissão do trabalhador, seja pelo tipo de atividade em si ou por alguma condição do local de trabalho.

Elas podem ser divididas em dois tipos: doenças profissionais e doenças do trabalho.

Doenças profissionais

São as doenças causadas por realizar trabalhos comuns à profissão. Ou seja, quando todos os profissionais da área têm risco de desenvolver a doença.

Exemplo: a silicose é uma doença que todos os trabalhadores de mineração têm risco de desenvolver, pois estão expostos ao pó de sílica.

Doenças do trabalho

São as doenças causadas por condições especiais de realização do trabalho. Ou seja, quando o risco de desenvolver a doença não é comum a todos os profissionais.

Exemplo: quando um funcionário de escritório tem perda auditiva por exposição a ruídos no trabalho. Nesse caso, a doença não é um risco para todos que tem a mesma profissão, mas se originou no trabalho.

 

Doenças ocupacionais geram indenização?

doenças ocupacionais

Todo trabalhador com doença ocupacional tem direito a indenização, mesmo que a doença tenha cura e ele não fique incapacitado.

Entretanto, vale notar que a doença deve ser comprovada pela perícia médica do INSS. Diferente de acidentes, não é tão óbvio provar que uma doença foi causada pelo trabalho. Nesse caso, os diagnósticos são bastante subjetivos.

Além disso, muitas doenças ocupacionais são silenciosas, só apresentando os primeiros sintomas depois de 10/15 anos. Com isso, muitas vezes elas acabam impossibilitando o retorno à profissão.

Com a comprovação da doença pela perícia, o trabalhador tem direito a receber 40% do salário base, caso tenha um mínimo de 12 anos de contribuição.

 

Principais doenças ocupacionais

Agora que você já sabe o que são as doenças ocupacionais, conheça as principais que acometem os brasileiros:

 

Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)

São lesões causadas por repetição excessiva de movimentos ou postura inadequada, respectivamente. Ambas geram dores crônicas que, muitas vezes, são confundidas com apenas “mau jeito”.

Caso não tratadas, vão se agravando com o tempo, chegando a deixar o trabalhador inapto a trabalhar.

Medidas de prevenção: mobília adequada, pausas para descanso, prática de exercícios físicos/ginástica laboral.

 

Dorsalgia

É a famigerada “dor nas costas”. São problemas de coluna que podem ter como causa força excessiva no tronco, postura inadequada, levantamento de peso e até obesidade ou sedentarismo.

Medidas de prevenção: adequação da mobília/equipamentos, pausas para descanso, fracionamento de cargas, diminuição de repetição e incentivo a atividades físicas/saúde nutricional.

 

Dermatose ocupacional

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Comum entre trabalhadores de indústria no geral e, principalmente, mecânicos. É causada pelo contato constante com graxa ou óleo mecânico, gerando uma reação alérgica na pele e na mucosa.

Saiba mais sobre a dermatose ocupacional em artigo completo no nosso blog

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (luvas) e exames médicos recorrentes.

 

Surdez temporária/definitiva

Causada por uma exposição a ruídos constantes, causa danos aos ouvidos dos trabalhadores de forma lenta e progressiva. Também pode ser causada pelo trabalho com produtos químicos, especialmente solventes.

É comum entre trabalhadores de diversos setores, incluindo: mineração, construção civil, operação de máquinas, telemarketing, salão de beleza e aeroportos.

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (protetor auricular), isolamento de fontes de ruído e, para trabalho com solventes, ventilação exaustora e uso de máscara de proteção.

 

Catarata

Causada pela perda do cristalino, geralmente devido a exposição a altas temperaturas. É responsável por metade dos casos de perda total de visão no mundo. Comum principalmente nos setores de siderurgia e metalurgia.

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (óculos de proteção), melhoria nas condições de trabalho e programas de vigilância a saúde do trabalhador.

 

Asma ocupacional

A doença respiratória ocupacional mais comum. Ocorre devido a inalação de partículas irritantes/alergênicas, recorrentes no setor de construção civil e nos que lidam com couro, algodão, linho, madeira e borracha.

Caracteriza-se pelo estreitamento e obstrução das vias respiratórias, causando tosse, falta de ar, chiado no peito e pressão torácica. Em casos mais graves, pode ocasionar paradas respiratórias e até câncer de pulmão.

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (respirador facial).

 

Antracose pulmonar

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Lesão causada por acúmulo de partículas de carvão nos pulmões. Acomete não só trabalhadores de carvoarias como também de grandes centros urbanos ou áreas muito poluídas. Pode acarretar fibrose pulmonar.

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (respirador facial).

 

Silicose

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Causada pelo acúmulo de poeira de sílica nos pulmões. Progressiva e irreversível, vai lentamente dificultando a respiração, podendo levar à morte por insuficiência respiratória.

Comum nos setores de fabricação de vidros, cerâmicas, jateamento de areia, corte de azulejos e pedras e escavação de poços.

Saiba mais sobre a silicose em um artigo completo em nosso blog

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (respirador facial) e ventilação adequada do local de trabalho.

 

Bissinose

Doença respiratória causada pelo acúmulo de poeira de fibras de algodão, linho ou cânhamo nos pulmões. Afeta principalmente trabalhadores da indústria algodoeira.

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (respirador facial).

 

Siderose

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Causada pela inalação de partículas microscópicas de ferro. Elas acabam se acumulando nos bronquíolos, gerando uma falta de ar constante.

Medidas de prevenção: uso correto de EPIs (respirador facial).

 

Doenças psicossociais

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Aqui incluem-se doenças como depressão, transtorno de ansiedade, síndrome do pânico e síndrome de burnout.

Além de consequências psicológicas, que também afetam o trabalho (como indisposição, baixo desempenho e isolamento social), também podem acarretar consequências físicas, como úlceras, gastrite, pressão alta e problemas de pele.

São causados geralmente por pressão de trabalho, carga horária excessiva, ambiente competitivo, conflitos interpessoais e situações de assédio ou trauma.

Medidas de prevenção: criar e manter ambiente de trabalho saudável, com metas adequadas, bons relacionamentos interpessoais e reconhecimento profissional;

Criação de programas de: ginástica laboral e gerenciamento de estresse/relaxamento; prevenção a violência, em caso de trabalhos com alto risco de assalto; apoio e acompanhamento a vítimas de violência e situações traumáticas/de alto estresse.

 

Conclusão

São muitos os tipos de doenças ocupacionais, afastando milhares de trabalhadores brasileiros todos os anos.

Agora que você já conhece mais sobre cada uma delas e o que é previsto na lei, já consegue se prevenir melhor e diminuir os casos na sua empresa.

 

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Fontes

Lei 8.213/91 – Constituição Federal do Brasil
Ministérios da Saúde e do Trabalho