dermatose ocupacional

Dermatose ocupacional – O que é, causas e tratamento

As doenças ocupacionais afetam boa parte da classe trabalhadora, principalmente nas indústrias. Um dos principais tipos é a dermatose ocupacional, que corresponde a 60% dos casos de doença ocupacional em países industrializados.

Além disso, 90% dos casos de dermatose ocupacional são dermatites de contato. A causa mais comum é o contato com agentes químicos, sendo as mãos o local mais acometido.

Portanto, devido ao alto risco de trabalhadores de indústria desenvolverem a doença, preparamos esse artigo completo sobre a dermatose ocupacional.

 

O que é dermatose ocupacional?

É chamada dermatose ocupacional qualquer alteração da pele, mucosa e anexos que seja direta ou indiretamente causada por algo usado na atividade profissional ou presente no ambiente de trabalho.

Elas são classificadas em dois tipos principais: dermatite de contato por irritação e dermatite de contato alérgica. Além disso, existem outros tipos de dermatose ocupacional, cerca de 10% dos casos.

Dermatite de Contato por Irritação

O tipo mais comum, representa 4 a cada 5 casos de dermatite de contato. Caracteriza-se pelo surgimento de lesões nos locais do corpo em que houve contato com substância irritante. Elas podem aparecer gradual ou imediatamente.

Atinge principalmente as mãos, antebraços, pescoço, face e pernas. Em geral, começam com vermelhidão, inchaço, bolhas e, às vezes, coceira. Com o tempo, a pele pode ficar mais espessa e ter descamação e fissuras.

Dermatite de Contato Alérgica

Geralmente causada por substâncias em baixas concentrações, aqui as lesões também aparecem em locais onde não houve contato direto. A alergia pode ocorrer repentinamente, mesmo após anos de contato normal com a substância.

No Brasil, a borracha e o cromo são as causas mais comuns. As lesões sempre apresentam coceira, além de vermelhidão, inchaço e vesiculação. Com o tempo, ocorre a exsudação e descamação da pele.

A cada reexposição, as lesões ficam mais intensas e ocupando mais do corpo, além de aparecerem mais rápido. A única forma de cura é identificar a substância alergênica através de exame, evitando então novos contatos.

Outros tipos de Dermatose Ocupacional

Apesar das dermatites de contato serem mais comuns, existem também outras formas de dermatose ocupacional. As principais são formas graves de acne, ceratoses, cânceres, infecções, oníquias e ulcerações.

 

Causas e setores de risco

As causas da dermatose ocupacional são divididas em dois grupos: diretas e indiretas.

Causas indiretas

  • Idade: trabalhadores jovens costumam ser mais afetados, por falta de experiência e por terem a pele mais “fina”;
  • Sexo: para os homens, os agentes mais comuns são o cimento e a borracha (dos EPIs), enquanto para as mulheres é o níquel (presente em bijuterias);
  • Etnia: pessoas brancas são mais vulneráveis, enquanto negros e amarelos são mais protegidos da ação solar;
  • Clima: temperatura e umidade influenciam o aparecimento de dermatoses, como infecções por bactérias e fungos. O trabalho ao ar livre também é sujeito a ação da luz solar, a picadas de insetos, a contato com vegetais e exposição a chuva e ao vento;
  • Antecedentes de outras dermatoses não ocupacionais;
  • Condições de trabalho inadequadas.

Causas diretas

  • Agentes Químicos: responsáveis por cerca de 80% das dermatoses ocupacionais. Principais são o cimento, borracha, derivados de petróleo, óleos de corte, cromo (e derivados), níquel, cobalto, madeira e resina epóxi;
  • Agentes Biológicos: bactérias, fungos, leveduras e insetos, especialmente nos trabalhos de manipulação de couro ou carne animal, tratadores de aves ou animais, peixeiros, açougueiros, jardineiros, balconistas de bar, barbeiros, atendentes de sauna, entre outros;
  • Agentes Físicos: calor, frio, vibrações, eletricidade, radiações ionizantes e não ionizantes, micro-ondas, laser e agentes mecânicos.

Assim, os setores de maior risco são construção civil, saúde, estética, metalurgia, alimentação e limpeza.

 

Diagnóstico da dermatose ocupacional

O primeiro e mais importante passo para o diagnóstico é a avaliação clínica. Deve-se analisar o histórico de exposição a possíveis agentes no trabalho, observando se os locais da lesão coincidem com onde houve contato.

O tempo de surgimento da lesão e do contato com a substância também devem coincidir, assim como uma melhora do quadro com o afastamento do trabalho.

Posteriormente, podem ser feitos testes diferenciais, como o teste de contato para determinar se a dermatite é de irritação ou alérgica.

 

Métodos de prevenção

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Para proteger os trabalhadores da doença, as empresas devem adotar medidas como orientações aos funcionários e exames médicos regulares.

Além disso, a higiene pessoal é extremamente importante. As roupas devem ser mantidas limpas e a pele higienizada sempre após o contato com agentes nocivos, seguida de hidratação com cremes sem fragrância.

Sempre que possível, as substâncias causadoras da dermatose devem ser eliminadas, evitadas ou substituídas. Ademais, ou uso de EPIs adequados é fundamental, principalmente luvas e fotoprotetores.

 

Como é feito o tratamento?

Após o diagnóstico, o médico deve fornecer ao paciente a lista de substâncias e produtos que ele não deve entrar em contato.

O tratamento varia com o tamanho e intensidade das lesões. No geral, são utilizados cremes e pomadas à base de corticoides, podendo ser associados antibióticos, compressas de água boricada ou anti-histamínicos, a depender da condição.

 

Conclusão

A dermatose é umas das doenças ocupacionais mais comuns, podendo se agravar rapidamente e até incapacitar o trabalhador.

Por isso, é muito importante que as empresas e funcionários estejam cientes dos riscos da doença. Assim, podem tomar as medidas necessárias para prevenção – ou tratamento precoce, caso a doença apareça.

 

Veja também nosso resumo sobre todas as Normas Regulamentadoras

 

Fontes

Ministérios da Saúde e do Trabalho
Dermatoses ocupacionais – Anais Brasileiros de Dermatologia
Frequência da dermatite de contato ocupacional em ambulatório de alergia dermatológica – Anais Brasileiros de Dermatologia