Treinamento em Segurança para Empresas: 9 Fatores para garantir os Melhores Resultados

Não é segredo que o treinamento em segurança estimula o aperfeiçoamento contínuo do trabalhador. No entanto, com frequência, os profissionais responsáveis pela Segurança nas empresas se deparam com problemas relacionados com treinamento.

Na verdade, estas dificuldades são tão comuns que Paula Dutra, diretora da Racco, disse: “É uma lástima que o treinamento em segurança seja um tema sobre o qual se fala e se escreve tanto, e por ele se faz tão pouco”.

Os profissionais de Segurança e Recursos Humanos que desenvolvem programas de treinamento sempre se deparam com muitos mitos e desafios. Por isso, separamos nove fatores importantes para te ajudar a garantir o melhor treinamento para sua equipe.

 

1. O conhecimento e a vivência de um trabalhador dentro de sua empresa nem sempre significam que ele será um bom profissional em treinamento.

Muitas empresas costumam escolher um dos técnicos que mais se destaca, dentre seus mais antigos e experientes colaboradores, para ser responsável pela área de treinamento. Afinal, quem conhece o trabalho melhor do que ele?

A oportunidade pode ser entendida tanto pela empresa quanto pelo técnico como um caminho para um nível de conhecimento ainda maior. Apesar de não ser um pensamento totalmente errado, nem sempre resulta em sucesso.

A aptidão e a habilidade necessárias para ser um bom técnico não são as mesmas que fazem um bom profissional de treinamento.

Os “carregadores de piano” são “inconscientemente competentes”. Sabem como executar bem o seu trabalho, mas na maioria dos casos não conseguem repassar a sua experiência a outros trabalhadores.

Quando promovidos ao posto de instrutor, tendem a dizer como os outros devem realizar as suas tarefas. Isso, entretanto, não é ensinar. É dar ordens. É o tipo de conduta que ignora as habilidades mais apropriadas para o treinamento de pessoas adultas.

É bem possível que a sua capacidade de saber ouvir simplesmente não exista. A situação termina numa tremenda frustração para ele, para os que seriam treinados e para a gerência que o nomeou.

 

2. Um bom profissional em treinamento na área de Segurança tem como um de seus atributos um excelente relacionamento interpessoal.

Um hábil profissional de treinamento em Segurança sempre acata as boas experiências de seus treinandos. Muitas vezes, tais experiências são tão importantes que se somam ao programa do instrutor, enriquecendo o seu próprio conhecimento.

A habilidade para extrair as experiências de integrantes de um grupo exige interação com eles e a qualidade de saber escutar.

Reconhecemos que existem indivíduos excelentes nas tarefas técnicas; e outros que sabem se relacionar de forma magnífica com as pessoas. Mas não é fácil encontrar indivíduos com estas duas qualificações.

Assim, as habilidades interpessoais contribuem muito mais para o êxito de um treinamento em Segurança do que as habilidades técnicas. É muito mais fácil ensinar a técnica a um profissional que bom de relacionamento que ensinar relacionamento a um técnico.

 

3. O treinamento em Segurança não é a solução para a maioria dos problemas de segurança, porém não deixa de ser um excelente apoio para a solução correta.

Na verdade, o treinamento talvez não seja a melhor solução para a maioria dos problemas de segurança na maior parte das empresas.

Frequentemente, tão logo acontece um acidente, a gerência anuncia: “Para que isto não se repita, todos receberão treinamento!” A motivação é boa, mas o método não.

Pergunte a si mesmo antes de adotar um programa de treinamento para toda sua empresa: Se você vive apontando um revólver (por exemplo) para a cabeça de seus funcionários, poderão eles produzir de acordo com suas expectativas?

Caso a resposta seja positiva, você não tem nenhum problema de treinamento.

Sabemos que toda empresa possui várias ferramentas que podem ser utilizadas para seu crescimento e consolidação do seu sucesso. O treinamento em Segurança é certamente uma das mais poderosas, quando posto em prática com competência.

 

4 – Um método ou programa de treinamento pode funcionar muito bem numa empresa, mas não se adequar a outra.

Para saber se um treinamento em Segurança que funcionou numa empresa pode ser aplicado em outra com o mesmo resultado, é necessário considerar as similaridades nas estruturas, procedimentos e atitudes de ambas.

Quando um médico prescreve medicamentos sem diagnóstico, ele deve ser responsabilizado pela má prática da medicina.

Da mesma forma, querer repetir um programa de Segurança numa empresa porque deu certo em outra, é uma má prática – um caso de prescrição sem diagnóstico. Portanto, é essencial realizar um estudo sistemático das características de cada organização específica.

 

5 – O treinamento em Segurança deve gerar Produtividade, Qualidade e SEGURANÇA!

Um bom programa de treinamento deve atingir as expectativas dos trabalhadores quanto às aspirações da organização no que diz respeito à produtividade, qualidade e segurança.

Quando as medidas de segurança estão em conflito com a produtividade e a qualidade, os empregados ficam em dúvida sobre a importância que a gerência dá a sua segurança. Com isso, é bem possível que as outras necessidades da empresa fiquem comprometidas.

Vemos frequentemente instrutores procurando conscientizar grupos de trabalhadores quanto à prática de medidas de segurança de forma isolada e fora das atividades diárias da maioria de seus integrantes, simplesmente considerando a segurança como um tema.

Este procedimento desvaloriza a relevância que a Segurança deve ter para o indivíduo. Portanto, o ideal é que o instrutor deixe claras as medidas de segurança a serem adotadas pelo trabalhador de acordo com o contexto de suas atividades.

 

6 – Todo método de treinamento em segurança deve ser avaliado com exatidão para que seja determinado o nível de sua contribuição como valor agregado para a empresa.

Nenhum método ou programa de treinamento vale a pena até que tenha sido avaliado de forma sistemática e objetiva. Examine os seguintes pontos quando avaliar o impacto de um treinamento feito em sua empresa:

a) Qual foi o resultado?
b) Por que alguns componentes foram mais importantes que outros?
c) Quem recebeu o benefício do valor agregado?
d) Que grau de benefício gerou o treinamento?
e) Em que se pode melhorar?
f) Como sabemos se o treinamento gerou o impacto esperado?

Não basta se contentar pelos empregados terem sido treinados em segurança; é necessário avaliar o impacto do treinamento. O treinamento nunca é o resultado final, mas o meio que promove e reforça um resultado específico.

 

7 – O treinamento em Segurança deve ser considerado como uma atividade de troca de cultura.

No passado, os consultores das empresas trocavam as políticas organizacionais como se um novo programa ou intervenção pudesse apresentar resultados a curto prazo. Estavam equivocados, claro.

Não se trocam os padrões de uma organização buscando alcançar expectativas rapidamente. Aliás, as mudanças sempre encontraram resistências consideráveis.

O homem de segurança, no exercício de suas funções, deve procurar conhecer bem os padrões da empresa pela qual é responsável, e fazer com que a gerência compreenda que nenhum programa de treinamento muda uma mentalidade da noite para o dia.

O treinamento em segurança tem sua assimilação estreitamente ligada à questão cultural. Dessa forma, ela exige uma análise dos hábitos e condutas dos empregados, para que o planejamento seja elaborado a partir de uma base sólida.

A atenção sobre o que assimilam os trabalhadores de cada treinamento tem que ser bastante considerada, bem como a observação da aplicação dos ensinamentos, na prática. Mais importante ainda, a visão de um resultado que certamente virá, porém a médio ou longo prazo. Paciência.

 

8 – A implantação do treinamento em Segurança pode ser mais efetiva quando se utiliza uma variedade de métodos de ensino.

Instrutores podem cair com facilidade na armadilha de criar um programa de treinamento em Segurança de acordo com suas próprias conveniências, ao invés de levar em conta as reais necessidades dos empregados treinados. É preciso avaliar os treinandos e seus estilos de aprendizagem para a adequada implementação do programa.

Na verdade, não existe “uma forma única” de se implantar um treinamento em Segurança dentro de uma empresa. Aquilo que funciona para um indivíduo ou grupo num determinado momento, não funciona quando se repete o mesmo programa para o mesmo indivíduo ou grupo, em outra ocasião.

A melhor opção é estabelecer uma variedade de métodos de treinamento, mesmo que o tema seja o mesmo, para garantir um trabalho com significado para todos os indivíduos, independente do estilo e da capacidade de aprendizagem.

 

9 – A contratação de um instrutor externo pode ser uma medida mais coerente em termos de custos para a implementação de um treinamento em Segurança.

As organizações têm uma tendência sedutora de criar, desenvolver e por em prática seus treinamentos em Segurança, tendo como base seus próprios recursos. A decisão de fazer este trabalho internamente pode parecer uma boa forma de administrar seus investimentos.

Pense na forma em que muitas vezes precisamos de um médico. Na maioria dos casos costumamos usar os serviços do médico da família quando nossas “doenças” são aquelas que ele já conhece. No entanto, quando surge um problema mais complicado, é o nosso próprio médico quem recomenda o especialista para solucionar o nosso problema.

Quando um instrutor de Segurança externo é chamado para trabalhar no desenvolvimento de treinamento com os profissionais de segurança da própria empresa, geralmente os resultados são inferiores aos obtidos pelo pessoal da casa.

Já quando a empresa estabelece e especifica claramente suas necessidades, identificando um profissional externo com excelente qualificação, é muito provável que obtenha os resultados desejados a um custo menor.

 

Conclusão

O treinamento em Segurança não resolve sozinho os problemas de acidente em uma empresa. No entanto, como vimos, é uma excelente (e necessária) forma de apoio para diminuir os riscos.
Esperamos que essas dicas tenham sido úteis para a elaboração do programa de treinamento na sua empresa.

 

 

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